Em geral, o ser humano, em sua individualidade, se interessa por coisas que dizem respeito ao bem-estar imediato de sua existência física, atingindo dimensões que o sobrecarregam nos sentimentos, levando aos vícios, às inquietações e até mesmo à desordem familiar. Nos dias atuais, quando os parâmetros foram corrompidos em nome de um egoísmo exacerbado, o desrespeito não tem medidas, pessoas fazem o que querem, infringem leis, desafiam as autoridades instituídas, afrontam a dignidade com pleno apoio de seus pares. Tudo pelo simples fato de assim desejarem. O bem comum foi transformado em satisfação pessoal ou de alguns ao custo do sofrimento e da angústia de muitos.
O momento nacional é de cuidado e muita cautela, pois o mal espargido afronta tudo e todos que com ele não dividem ideais. O império egoístico alastra em todas as direções feito joio em meio ao trigo. Mas tudo passa, e a temporada de sacolejos, sustos e desmandos também passará, e aquele que se acautelar contra as más intenções, aquele que não atender aos imediatismos perniciosos não terá a angústia e a dor como companheiras.
A vida é campo de luta e provações. Não porque se deve sofrer para progredir, como muitos apregoam. O sofrimento resulta do esforço para o aprimoramento. Sem luta não há vitória, essa afirmativa tão comum é fato incontestável. E saber esperar é um esforço silencioso. Não a espera apática improdutiva, mas o cultivo da paciência incessante em todas as dores e em quaisquer circunstâncias, objetivando transpor as dificuldades que vigorem ao nosso redor e também aquelas inquietações contaminadoras de nossas emoções.
Há quem em nome da comodidade afirme: “Pau que nasce torto morre torto”, esquecendo-se de que as nobres videiras, em seus troncos tortuosos, guardam as mais puras seivas que produzirão dulcíssimas uvas. Cultivar a paciência requer cuidado constante, de modo a retirar do conjunto de nossas motivações as vontades mesquinhas, a satisfação egoística e o cumprimento do dever de maneira descuidada. Realizar deve ser com máximo de capricho e atenção.
Ter paciência é não servir aos impulsos inferiores, é guardar em luta pelo momento preciso em que todas as condições naturais conspirem em favor do bem comum.
Jesus é o nosso modelo de paciência suprema. O Mestre de Nazaré resistiu à nossa inferioridade moral, amando-nos. Não se ombreou com as nossas fraquezas, mas valeu-se de todos os momentos para nos melhorar e conduzir ao bem. Não sorriu com as nossas quedas ou aplaudiu nossos erros, mas compreendeu-nos as deficiências, amparando-nos. No momento da maior maldade já praticada por nós, rogou ao Pai que nos perdoasse, pois não sabíamos o que fazíamos.
Por Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”, Iriê Salomão de Campos – ‘Tribuna Livre’ Publicado no espaço quinzenal cedido pelo Jornal Tribuna de Minas, 21 de julho de 2018, Juiz de Fora, MG.
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