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Coração Puro

Trazemos em público a vida exterior, conhecida dos amigos, observada por convivas e também por estranhos. Não raro, opinamos gravemente sobre alguém de quem pouco ou nada sabemos. Por orgulho e vaidade, tecemos os mais descabidos e negativos comentários, sem qualquer preocupação com as consequências ou certa dose de juízo.

Comentem-se graves erros, espalhando as sombras, quando se poderia contribuir com a luz. Como nenhuma ação fica isenta da reação, nossas atitudes de ontem repercutem no presente, e os resultados tenebrosos assolam o dia a dia, e aí indagamos, como Deus permite que isso ocorra comigo? Se for dotado de um pequeno grau de sensibilidade espiritual, a pessoa em questão se lembrará dos males que espalhou e, como é comum acontecer, em sua autodefesa dirá: falei da boca para fora. Mas, como ensina o Evangelho, tudo que falamos provém do coração, já nos recomenda o apóstolo Tiago: “Purificai vossas mãos, pecadores, e santificai vosso coração”.

Se temos uma vida exterior com a qual nos apresentamos aos círculos de convivência, temos também e principalmente uma vida íntima sobre a qual somente cada indivíduo pode a sua vontade fornecer suas particularidades. Esse universo secreto é a fonte de todos os princípios bons e maus, construtivos ou destrutivos da vida exterior. Nesse interior, estão instaladas com raízes profundas das múltiplas encarnações, os gostos, tendências e características que juntas formam a nossa personalidade e com a qual nos apresentamos e participamos do mundo.

Observando as atitudes alheais mundo afora, não é difícil constatar quanto a humanidade é portadora de graves deficiências e, se mais detidamente analisarmos as nossas simpatias e comportamentos, enxergaremos nossas fraquezas e delitos pessoais e seus resultados danosos para nossa vida íntima e a consequente necessidade de retificação pessoal.

Será muito fácil aderir a uma crença e confessar a aceitação religiosa na vida aparente. Outra coisa, porém, é realizar o esforço íntimo de autodisciplina, de elevação de si mesmo.

É urgente corrigir nossas atitudes exteriores através da melhoria dos sentimentos íntimos renovando nossos corações. É um trabalho de esforço, requerendo duplo ânimo interior e exterior, para que nossas palavras e ações sejam o reflexo de um coração empenhado em deixar para trás o homem velho e, permitindo nascer o homem novo, o homem cristianizado.

📕 Por Iriê Salomão de Campos, Comunidade Espírita “A Casa do Caminho” – ‘Tribuna Livre’ Publicado no espaço quinzenal cedido pelo Jornal Tribuna de Minas, 05 de setembro de 2025, Juiz de Fora, MG.

6 de novembro de 2025 por: A Casa do Caminho